Psicopata bem ao seu lado: cuidados para não viver em um relacionamento abusivo

Psicopata bem ao seu lado: cuidados para não viver em um relacionamento abusivo

Recebi uma enxurrada de perguntas sobre o caso bárbaro do feminicídio praticado por Luis Felipe Manvailer, de 32 anos, que torturou a esposa, Tatiane Spitzner, com agressões brutais e cruéis antes de jogá-la (ao que tudo indica), do quarto andar, levando-a a óbito.

As investigações ainda estão em curso, por isso seria irresponsável de minha parte comentar esse caso baseando-me apenas no que diz a mídia. Porém, sem dúvida alguma, posso usar esse espaço para advertir a todos sobre relacionamentos abusivos.

Primeiramente quero deixar claro que existe um fator em comum a todos esses casos: a vítima sempre acha que o abusador vai melhorar, e o abusador (geralmente um sociopatatranstorno de personalidade antissocial, publicamente conhecidos como psicopatas) começa como um cara carismático, feliz, sedutor, e vai se revelando, rapidamente, um cara excessivamente ciumento e controlador.

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Tudo começa quando a vítima se submente a caprichos do parceiro, como se afastar de amigos e amigas que ele não gosta (inicialmente ele faz toda uma linha de vítima dessas pessoas para justificar o motivo pelo qual a parceira deve se afastar). No começo é um ou dois, porém, quando você menos espera, está sem amigos. Em alguns casos chega a ameaçar amigos e parentes da parceira para que se afastem. A ideia é que a companheira fique isolada.

Já ele não abre mão de nenhum contato. Sim, contato, pois para um psicopata não existe amizade, existe uma rede contatos que pode beneficiá-lo a conseguir o que quer, incluindo status social.

À medida que ele vai percebendo que a parceira está cedendo ao seu controle, ele vai tentando ampliar seu poder para saber as senhas das redes sociais, senha de celular e, não muito raro, consegue a senha do GPS do celular da parceira.

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Quando não consegue o que quer, ele perde o controle e ai começam as agressões; geralmente inicia com agressões verbais: puta, vadia… (geralmente, no início, coloca a culpa dessas agressões na bebida ou no estresse do trabalho) e, à medida que a parceira, na ilusão de que “isso vai passar/foi apenas um mal entendido/ele não era assim”, se mantém na relação, as agressões viram ameaças verbais, quebra de móveis e objetos da casa, e daí para agressões físicas é um pulo.

O principal meio de manipulação de um psicopata é fazer a vítima se sentir inferior, que ninguém “vai querer você”, “só eu te aguento”, “você é um lixo e ninguém vai dar a mínima para você”.

Segue alguns traços de que você pode estar vivendo ao lado de um psicopata e, dessa forma, correndo um sério risco:

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1 – Para ele se sentir no controle, superior, ele tem um hábito de humilhar a parceira, fazendo com que ela se sinta inferior com facilidade e de forma constante.

2 – Vende a ideia de que ela tem que dar “graças a Deus” por tê-lo ao seu lado. E quando sente que a parceira cai em seu jogo (de realmente achar que é inferior e que nunca mais na vida vai achar um cara tão “fantástico” e “caridoso” como ele), ele começa a ameaçar, por qualquer coisa, que vai romper o relacionamento.

3 – Para provar seu poder sobre a parceira, ele a obriga a fazer coisas contra sua vontade e sem nenhuma explicação plausível, como, por exemplo, bloquear (e deixar de falar) com um amigo ou amiga.

4 – E, em absolutamente todas as brigas e agressões (verbais e físicas), o abusador ainda aponta que a parceira é a culpada de tudo. Infelizmente, a maioria das mulheres acaba engolindo essa manipulação e aceitando que é a causadora de todos os transtornos do casal.

Caso você viva em um relacionamento com alguém assim, ou conheça alguém que vive esse tipo de relacionamento (se conhecer, compartilhe esse texto com ela), é importante que você saiba que o transtorno de personalidade antissocial (psicopata) é um transtorno sem cura e, em meus estudos (e práticas clínicas), o psicopata só consegue viver um relacionamento saudável se ele entender as vantagens disso – Agora vai convencer a ele que não ter o controle da relação é vantagem… Justamente por isso, é importante você buscar ajuda (incluindo psicoterapia) para conseguir se sair desse tipo de relacionamento.

Escrevi em um artigo anterior, inclusive apontando que geralmente mulheres borderlines (transtorno de personalidade borderline) são as maiores vítimas de casos como esses, pois realmente possuem uma instabilidade forte de identidade, de humor, um vazio e sua autoestima é muito baixa, de forma que fica mais fácil um psicopata a convencer de que ela é inferior e de conseguir manipulá-la.

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Não caia nessa, busque ajuda e viva um relacionamento saudável com alguém que te ama, te respeita, te valoriza, te coloca pra cima, te apoia, e, mesmo nos conflitos, busca sempre conciliar os lados e alternativas para viver melhor a relação.

 

André Barbosa
Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental
85 988139593
Instagram – @opsicologo.