Resoluções de Fim de Ano – Seguir a “Minha Cartilha Da Cura”

Resoluções de Fim de Ano – Seguir a “Minha Cartilha Da Cura”

As mulheres e as crianças são as primeiras que desistem de afundar navios
(Ana C.)

Dia desses, uma amiga postou no Facebook algo mais ou menos assim: “Quem conseguir chegar ao dia 31 de dezembro de 2016, não irá para festas de Réveillon: irá para um Baile de Sobreviventes”.

É, minha amiga tem razão, o ano de 2016 não foi estupendo, foi estupefaciente. Pelo menos, estamos quase lá.

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A Teus Pés.

E eu não vou vestir branco, nem usar lingerie amarela, nem vermelha, nem de qualquer outra cor. Vou, sim, a um “Baile de Sobreviventes” aqui mesmo, onde moro, usando uma roupa “BCBG” pero más no mucho, degustar bons vinhos, provar todas as delícias que servirem, apreciar boas conversas, contar as piadas que sei e que não sei (invento na hora, principalmente depois de alguns goles de um bom Malbec), sair para ver a queima de fogos, tomar uma taça de champagne (espumante também é bom, os vinhedos do Rio Grande do Sul aprimoram-se a cada ano).

E vou seguir a minha “Cartilha da Cura”.

Engraçado como a nostalgia toma de conta da gente nesta época do ano. Acordei hoje com a ideia fixa de procurar os livros de Ana Cristina Cesar. Entrando com tudo no túnel do tempo, lembrei do dia em que completei quinze anos. O ritual da passagem de menina para adolescente-adulta.

Não tive festa, meus pais não podiam arcar com as despesas. Só que meus pais, se não me deixavam mascar chicletes (“Ploc”; tomara que ainda exista, porque será uma bela “entregação de idade”) ou balas “Soft” durante a semana, jamais, dentro do apertado orçamento do lar, não poupavam quando o assunto era material de leitura.

Até hoje admiro esse minipoema. PequenoGrandePoema.

Até hoje admiro esse minipoema. PequenoGrandePoema.

Pedi que me levassem a uma livraria e escolhesse os livros que quisesse, até uma certa quantia. E aí eu encontrei o livro de Ana Cristina Cesar. Esse que está lá em cima, e que até hoje guardo como uma leoa protegendo os leõezinhos.

A Editora Brasiliense tinha muitas linhas de aproximação da leitura: a coleção “O que é…”, as “Cantadas Literárias”, a “Tudo é História”. Preço baixo e boa qualidade.

Para quem não lembra, a FLIP deste ano foi dedicada à poeta. Poeta da “Geração Mimeógrafo”.

Em outro Natal, fui a grande livraria da cidade e tentei comprar o livro para uma amiga admiradora de poesia. Então me informaram que havia uma disputa pelos direitos de publicação (acho que já foram resolvidos), mas de qualquer forma, as fotos são do meu exemplar, e por mim foram tiradas.

Aqui em Fortaleza existe uma loja de camisetas com estampas bem originais e bem humoradas, do tipo “Moro onde você passa as férias”, “Sai, liseira: este corpo não te pertence”. Há algum tempo atrás, até pensei em estampar pequenos haikus, legíveis só pra quem se aproximasse. A ideia seria facilitar uma conversa, ou até uma paquera, em situações como filas de banco, salas de espera ou mesmo barzinhos. O rapaz (ou a moça) leria o minipoema e, se interessasse, começaria a conversar. “O Cigarro do Século 21”. Coisas de uma mente alucinada.

Ana Cristina Cesar

Ana Cristina Cesar

Como sempre, divago. Minha chefa vai brigar comigo.

É esta a minha Cartilha da Cura para 2017 e para os outros anos que vierem:

–        Não abandonar navios;
–        Expulsar a palavra “crise” do meu vocabulário;
–        Aprender a dizer Não;
–        Aprender a dizer Sim;
–        Aprender novo idioma, nem que seja o que se usa para “montar” aplicativos;
–        Calar e ouvir;
–        Falar e ouvir;
–        Só opinar se me pedirem opinião (isso vai ser dureza, pois sou “opiniática”);
–        Tratar gente como gente e bicho-gente como bicho-gente;
–        Ler e reler;
–        Ouvir música o tempo todo, ainda que seja o doce som do silêncio;
–        Abraçar mais meus familiares e amigos;
–        Orar em silêncio (Deus não é surdo);
–        Tudo fazer para aproximar, nada fazer para afastar;
–        Sentir a areia da praia e a grama de meu quintal na planta dos pés;
–        Tomar um belo banho de chuva;
–        Inventar pequenos limpadores de para-brisas para óculos (viajei de novo);
–        Ter, realmente, um ótimo ano.

E é o que desejo a todos os que tiveram a paciência de ler estas mal-traçadas até o final.

 

(Fotos: Lucila Moreira Silveira)