Salvando seu relacionamento

Salvando seu relacionamento

Tenho recebido muitas perguntas sobre como salvar um casamento (ou relacionamento) de longas datas, como reativar a vida sexual do casal… é possível?

Em um relacionamento saudável sempre existirá algumas adaptações (como abrir mão de alguns comportamentos) que os dois terão que fazer, afinal, é uma junção de dois mundos e cada pessoa carrega, dentro de si, uma história, cada pessoa carrega um universo de experiências diferentes, uma forma de ver e enxergar o mundo. Então, é normal que nessas adaptações eu abdique de algo (desde que seja feito através de conversas assertivas, respeitosas, carinhosas).

O grande problema é quando só uma das partes tem a tarefa de realizar essa adaptação, quando só uma das partes abdica de algo. Isso não é um relacionamento a dois, é, no máximo, um relacionamento a 1 (se é que podemos chamar isso de relacionamento). Sequer acredito em um amor sincero (de nenhuma das partes). É apenas um sentimento de ilusão, pois o sujeito que não abdica de nada, geralmente não tem amor suficiente para gerar nenhuma mudança em sua vida, “Não vale a pena mudar por ele (ela)!”.

E o que abdica de tudo, pode estar confundindo amor com o medo (medo de, se não fizer o que o outro quer, poder dar briga, confusão, terminar, de acabar ficando só).

Eu, ao contrário do senso comum, costumo ser mais crítico com o que abdica de tudo, do que com o que não abdica de nada, pois o comportamento de sempre abdicar pode reforçar e aumentar ainda mais o comportamento ruim de estagnação do outro (para não dizer cômodo e, posteriormente, autoritário).

É fácil apontar que quem sempre faz tudo é a vítima e quem não abdica de nada é o vilão, o chato, o autoritário, mas precisamos entender também qual nosso papel na construção do comportamento do outro. Se eu não entender isso, serei a eterna vítima do mundo, de relacionamentos ruins. Podem até mudar os nomes dos atores de minha vida, mas o filme será o mesmo.

Se eu acostumar o outro a não fazer nada, a não abdicar de nada, fizer sempre tudo que o outro quer, será que não tenho também responsabilidade no comportamento ruim do outro?

E sobre reativar a vida sexual?

Em casais, quando passa a fase da paixão (a fase que idealizo o outro, que só vejo qualidades), e entra a fase do amor (onde consigo enxergar o outro como um humano de verdade, com seus defeitos e acertos, e mesmo assim ainda o admiro e quero me manter ao seu lado), existe algo em comum que eu costumo chamar de: procrastinação sexual.

Procrastinação sexual é quando eu espero estar motivado para sexo e também espero que essa minha motivação coincida com a motivação do outro. É como ficar esperando um sinal do destino todos os dias. Isso não funciona. O que eu vou falar vai soar anti-romântico (mas não é, explico ao final): você precisa se programar para o sexo (ou o casal pode fazer isso). 

Exemplo, marcar para todo sábado. O sexo programado é ótimo e dá tempo para você criar coisas, fazer algo especial. Tudo o que a gente ama e gosta de fazer, realizamos uma programação (festa, sair com os amigos, viagens… até uma simples saída para jantar) por que com o sexo teria que ser diferente?

Temos, em alguns momentos, preguiça do sexo, mas quando estamos fazendo, gostamos. Ter essa atitude pode, inclusive, reativar sua atração por ele (e a dele por você). Fazer coisas diferentes sempre é bom para aumentar o desejo sexual

 “Mas é muito anti-romântico!”. Ok, qual a fase mais romântica de um casal? O que falamos quando um casal está sempre se amando, grudados, animados? Geralmente falamos que o casal está em lua de mel, não é mesmo? E o que é uma lua de mel senão uma programação para, entre outras coisas, o sexo? 

Espero ter ajudado.

André Barbosa
Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental
85 98813-9593
Instagram – @opsicologo

(Fotos: Reprodução / Internet / Google / iStock / Getty Images)