Seja feliz: pense duas vezes antes de escutar o coração

Seja feliz: pense duas vezes antes de escutar o coração

Tenho percebido, cada vez mais, pessoas vivendo uma vida de instabilidade nas relações afetivas, sociais e profissionais, frustradas com escolhas tomadas baseadas no “coração”, ou seja, baseadas nas emoções. “Seja feliz, siga seu coração”, é o que diz o senso comum e Hollywood.

Ocorre que essas pessoas estão tomando importantes decisões baseadas nesse slogan bonitinho “Siga seu coração!”.

Qual profissão escolher? Devo casar agora? Devo me divorciar? Devo perdoar meu namorado?  Devo voltar o namoro? Devo pedir demissão? Teoricamente, a resposta para essas importantes indagações seria: “Siga seu coração!”, certo? Errado! Ou, na melhor das hipóteses, meio certo.

Acontece que nossas emoções são formadas em um sistema cerebral primitivo chamado sistema límbico.

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Faz todo sentido ser uma área primitiva, pois as emoções básicas foram criadas como mecanismo de sobrevivência de todos seres vivos. Medo, raiva, prazer, são emoções que permitem, ainda hoje, a sobrevivência de muitos homens e animais tido irracionais.

Imagine um macaco sem medo andando pela selva? Provavelmente, não sobreviveria uma semana. Um homem sem medo também corre o mesmo risco de vida. O medo, portanto, é uma emoção básica, de fundamental importância para nossa sobrevivência.

Porém, essas emoções básicas são reações neuroquímicas primitivas que não se baseiam em evidenciais ou pensamentos a longo prazo. Todas as reações emocionais buscam uma única coisa: Nos fazer agir confiando nas emoções (responder imediatamente, ou evitar, ou fugir).

O ideal é sempre decidir sua vida ponderando emoções e razões, analisando custos e benefícios de suas possíveis escolhas. Ou, pelo menos, esperar as emoções baixarem para tomar qualquer atitude.

Por exemplo, quantas vezes você foi dormir com raiva pensando: “Amanhã ele vai escutar um monte!”,”Amanhã farei isso, ou farei aquilo!”, e no dia seguinte, após uma noite bem dormida, você acorda e não vê mais sentido em obedecer as emoções da raiva? Ou quando você está prestes a pedir para voltar o namoro, baseando-se na carência e saudade, mas, no dia seguinte, desiste e ainda pensa: “Como é que eu ainda queria voltar o namoro? Eu só podia estar cega!”.

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Isso acontece porque nossas emoções são temporárias, nosso cérebro não consegue produzir uma emoção no mesmo nível agudo constante por mais de 4 horas, a tendência sempre é a redução das emoções, principalmente depois de uma noite de sono ou de um banho frio.

Essa área cerebral responsável pelas emoções é uma área tão primitiva que dividimos até com os répteis, daí alguns neurocientista denominarem essa área de “cérebro reptiliano”.  Em outras palavras, é como se confiássemos em um calango para decidir o que devemos fazer nas áreas mais importantes de nossas vidas.

E aí? Vai confiar sua vida no calango?

André Barbosa
Psicólogo Clínico
(85) 98813-9593
Psicoterapeuta Cognitivo-comportamental

 

(Fotos: Reprodução / Internet)